6 atitudes para diminuir a ansiedade durante a quarentena

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Se a rotina normal já nos torna vulneráveis, ansiosos e apreensivos, é ainda mais complicado manter a calma ao viver uma situação que mistura incertezas em relação ao futuro com a rápida necessidade de adaptação. 

Pensando nisso, decidi produzir um artigo especial com práticas simples para te ajudar a diminuir a ansiedade durante a quarentena e sair dessa uma pessoa melhor depois que o coronavírus for vencido.

Acredito que é preciso entender, enfrentar e dar o melhor de si no momento em que vivemos. Por isso, espero que as minhas dicas tragam alguma leveza para o seu dia e contribuam para o seu equilíbrio.

Antes de falar sobre as seis atitudes que selecionei, quero comentar três pré-requisitos básicos que você deve ter em mente antes de realizar qualquer atividade.

Cuide-se bem e mantenha a calma

Enquanto estamos em quarentena, a busca pelo autoconhecimento é ainda mais relevante. Só que reconhecer limites, forças e fraquezas não é tarefa fácil. Perceber o que te incomoda, o que te faz bem e qual é a sua tolerância ante as situações de pressão é essencial para a decisão de se afastar ou se aproximar de algo novo – como notícias e informações, por exemplo.

Perguntas inevitáveis saltarão na sua cabeça como notificações. Não há escapatória de “O que acontecerá com meu emprego/aula/futuro?”, “Quando a quarentena vai terminar?”, “Será que meus familiares ficarão bem?”, “O que eu posso fazer enquanto isso?”, etc – perguntas com alto potencial de elevar a ansiedade até mesmo de mestres zen.

Cuidar-se é a melhor forma de responder a tudo isso. Seguir as indicações da OMS (Organização Mundial da Saúde) e não deixar que as incertezas tomem conta é tudo o que você precisa fazer para reduzir a ansiedade.

Afaste-se das notícias e das redes sociais

Às vezes a mão chega a tremer em busca das últimas notícias sobre coronavírus ou por novidades de amigos e familiares, mas calma. É muito, muito importante mesmo, você se afastar das redes e seguir em frente com as atividades que fazem parte da sua rotina diária.

A internet é uma ótima ferramenta e tem ajudado a humanidade a se comunicar e trocar notícias mesmo durante o distanciamento social. Por outro lado, é essa mesma capacidade de alcance e comunicação que alimenta a nossa fome por controle e informação – e, quanto mais alimentamos o monstrinho da ansiedade, mais força ele ganha para nos engolir.

Por isso, é preciso manter a disciplina e saber quando parar de olhar notícias (reais e fake), previsões sobre o futuro e postagens em redes sociais sobre o coronavírus. Mesmo que soe como um contra senso, é preciso relaxar, esquecer os problemas do mundo e reservar um tempo para você.

Mantenha o foco

Para que seja possível desempenhar qualquer atividade de forma satisfatória, nossos cérebro precisa atingir o estado de flow – em outras palavras, precisa estar focado na atividade que está desempenhando.

Por outro lado, a ansiedade é uma bomba que atrapalha e muitas vezes impede o pensamento contínuo, como se estivéssemos o tempo todo trocando de abas no navegador da nossa mente.

A primeira vista, pode parecer ótimo ser multitarefas, mas, na prática, há uma queda drástica na qualidade das nossas ações quando pensamos em várias coisas ao mesmo tempo – além de ser a receita perfeita para potencializar a ansiedade.

Por isso, antes de te contar as atitudes que você deve ter para diminuir a ansiedade durante a quarentena, quero te propor um trato: que, a partir de hoje, você se focará no momento. Sem multitasking, sem desculpas, sem escapadinhas, sem ouvir ao chamado do seu diabinho ansioso; vivendo apenas uma coisa de cada vez.  

Como diminuir a ansiedade durante a quarentena

Medite

Mesmo correndo o risco de soar mística, a meditação está no topo das atitudes pela busca do autoconhecimento. E, ao contrário do que muitos pensam, meditar não é deixar de pensar e entrar em estado de nirvana; meditar é apenas manter o foco em algo – um som, um movimento do corpo ou até mesmo em alguma leitura.

A forma mais comum de meditar é concentrar a atenção na respiração. Para isso, você pode fechar os olhos e contar as suas inspirações – inspirando pelo nariz e expirando pela boca – começando de 1 a 10 e depois de 10 a 1. Você também pode fazer uma “varredura” dos pés a cabeça para perceber todas as sensações do seu corpo ou, ainda, manter os olhos fechados, atento a sua respiração e ouvindo alguma música que você gosta.

A meditação está mais relacionada ao foco e à entrega no aqui-agora do que a qualquer religião ou conceito new age que possa te barrar de realizar a prática. E, por estar intimamente ligada ao foco no presente, é uma das maneiras mais eficazes de diminuir a ansiedade durante a quarentena.

Assim, meditar segue o mesmo princípio que escrever: é preciso testar algumas práticas até descobrir qual funciona melhor para você. Independente da técnica que você escolher, o importante mesmo é desapegar de conceitos como tempo mínimo, posições ou o “esvaziar” do pensamento antes de meditar.

Consuma arte e entretenimento

Ao invés de gastar o seu tempo vendo vídeos de animais bonitinhos ou qualquer outra besteira na internet, escolha conteúdos, no mínimo, mais elaborados para aproveitar a quarentena.

Filmes, séries, shows, jogos, histórias em quadrinhos e, em especial, livros, são as melhores companhias para manter o seu cérebro distraído sem transformá-lo em geleia. Veja, não estou te dizendo para ficar em casa e ler todos os livros do Jung ou de Dostoievski, só para aproveitar o que o nosso entretenimento tem a oferecer.

A partir daí, o seu pacote de dados é o limite. Existem inúmeros conteúdos pagos e gratuitos e outras inúmeras formas de obtê-los – tudo depende da sua consciência e do seu bolso. Independente de como você terá acesso ao conteúdo, o importante é selecioná-lo com consciência ao invés de se deixar engolir por algoritmos ou mensagens em infinitos grupos.

Distrair-se com algo do mundo concreto ao invés de ficar vendo besteiras ou engolindo teorias da conspiração sobre o espirro do vizinho é essencial para diminuir a ansiedade durante a quarentena. Permita-se viajar em narrativas variadas, envolva-se na história e entregue-se ao momento ao invés de ficar dando voltas no parafuso dos problemas.

Dica 1: Se você curte música clássica, a Orquestra Filarmônica de Berlim liberou o acesso a todos os concertos gravador até dia 31 de março. É só se cadastrar e aproveitar o benefício por 30 dias.

Dica 2: Se você é louco por livros como eu, editoras como a L&PM, a Leya e a Companhia das Letras estão disponibilizando ebooks gratuitamente durante a quarentena.

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Dica 3: E falando em livros gratuitos, você pode conferir a lista dos 100 livros gratuitos mais baixados na Amazon e se divertir.

Faça cursos online e estude

A combinação de foco com disciplina é a chave para manter a ansiedade longe dos holofotes do pensamento – e nada melhor para isso do que dedicar um tempo ao estudo.

Encare a quarentena como um boost nas suas resoluções de começo de ano (e que, cá entre nós, já deviam estar atrasadas). Estudar um novo idioma; aprender a tocar algum instrumento; a programar, a desenhar ou pintar; se aprofundar em alguma área de humanas, como filosofia ou história, são algumas das opções que, se no início do ano soavam como sonhos longínquos, o tempo livre da quarentena tornou viáveis.

No entanto, apesar dos cursos à distância serem bem difundidos na internet, eles podem ser vistos com desconfiança ou até como um conhecimento menor quando comparados aos cursos presenciais – o que, consequentemente, faz com que o aluno não leve as aulas tão à sério.

Por isso, volto a dizer que é preciso ser tão disciplinado e focado ao fazer um curso online quanto se é durante um curso presencial. Independente da plataforma e do assunto que você escolher, lembre-se sempre: o único responsável pelo aproveitamento do conteúdo é você.

Dica: várias plataformas online de cursos, como a Universidade de Harvard e a FGV estão ofertando cursos online gratuitos durante a quarentena.

Alongue-se e exercite-se

Agora que até caminhadas mais básicas como ir ao ponto de ônibus ou à panificadora ficaram mais limitadas, com certeza você ficará mais tempo sentado diante de alguma tela nos próximos tempos. Por isso, é essencial que o hábito de realizar alongamentos e exercícios seja desenvolvido e mantido.

Independente se o mundo sairá mais gordinho dessa, é preciso reconhecer que movimentar-se é essencial para manter a imunidade em dia. É claro que você não precisa ter aparelhos de ginástica nem sair correndo pelos cômodos da casa; basta estabelecer intervalos regulares para se mexer.

O YouTube é um mar de opções de alongamentos e exercícios físicos que pode ser explorado à vontade. Depois de escolher as atividades que mais combinam com você, eleja alguma ferramenta para intercalar a inércia e o exercício.

Se você estiver trabalhando ou estudando, eu recomendo o sistema Pomodoro. A ideia é realizar intervalos de cinco minutos após 25 minutos de concentração – e é nesse intervalo que você pode se alongar e pegar um copo de água, por exemplo. Outra sugestão é se alongar logo depois de acordar e antes de dormir para manter o corpo equilibrado e relaxado.

Dica: combine meditação com alongamentos ou yoga. Em pouco tempo, você perceberá que realizar movimentos delicados e concentrados te ajudará a diminuir a ansiedade na quarentena.

Realize trabalhos manuais

Quando for preciso dar um descanso para a cabeça e estudos, leituras e entretenimento não vencerem a ansiedade, é hora de mexer o corpo e colocar as mãos em contato com texturas, materiais e movimentos.

Trabalhos manuais são uma das formas mais antigas de se manter focado no aqui-agora – ou você acha que nossas avós, bisavós e as mulheres antes delas tricotavam, bordavam e costuravam só porque não tinham mais nada pra fazer?

Para executar um trabalho manual e repetitivo, é preciso prestar atenção no que se está fazendo, mas de uma forma que a mente fique livre para divagar e, quem sabe, até encontrar soluções alternativas para os problemas enfrentados.

Por isso, durante a quarentena, te incentivo a construir algo novo com as mãos. Ideias não faltam no YouTube e no Pinterest, desde como decorar o seu home office até como adubar seu pé de feijão. Basta pesquisar um pouco e se divertir.

Dica: se você quer aprender ou aprimorar a sua técnica de encadernação, indico os manuais de encadernação do Canteiro de Alface, da querida Luisa Gomes Cardoso.

Alimente-se bem

Dica óbvia, mas essencial quando estamos ansiosos: alimente-se bem. Além de deixar o corpo em forma, a boa alimentação nos ajuda a manter a imunidade em dia para que, caso o coronavírus chegue, os sintomas sejam leves.

Não use a quarentena e o delivery como uma desculpa para viver de fast food de agora em diante. Escolha os alimentos que você vai consumir com consciência e sem exagero.

Também indico fortemente que você tome chás para limpar o organismo, como o chá verde; suplemente-se com vitamina C e tome bastante água – tudo o que já deveria fazer antes da pandemia, mas nem sempre levou a sério.

Dica: tomar cloreto de magnésio ajuda, e muito, a relaxar o corpo e aliviar crises de ansiedade. Eu tomo o suplemento diariamente há quase um ano contei minha experiência em um artigo no Medium.

A quarentena passa, mas a ansiedade se instala

Lembre-se que, apesar do distanciamento social, a quarentena e o coronavírus serem preocupantes, tudo isso passará. No entanto, a partir do momento que a ansiedade se desenvolve e se torna um escape em momentos de crise, é muito mais complicado se livrar dela.

Por isso, além de sair de casa apenas quando necessário, manter as mãos higienizadas e cuidar dos seus, cuide muito bem da sua mente. O desafio que estamos enfrentando é o maior do século e o que você menos precisa agora é alimentar incertezas.

Mantenha o foco, aproveite o momento, consuma notícias e redes sociais com responsabilidade e realize as atividades que mais te agradam para diminuir a ansiedade durante a quarentena.

Aguente firme aí que eu estou aguentando firme aqui também.

P.S.: em momentos de confusão mental, a escrita terapêutica é uma ótima opção para organizar os pensamentos. Confira o artigo que escrevi sobre o assunto e comece a limpar a sua mente hoje mesmo.

Sobre o autor

Mylle Silva

Mylle Silva é escritora, roteirista e professora de Escrita Criativa. Graduou-se em Comunicação Social pela PUCPR e dedica-se à escrita desde que se conhece por gente. Publicou o livro de contos A Sala de Banho (2014) e é roteirista das histórias em quadrinhos A Samurai (2015), A Samurai: Yorimichi (2016) e A Samurai: Primeira Batalha (2017).

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Mylle Silva

Mylle Silva é escritora, roteirista e professora de Escrita Criativa. Graduou-se em Comunicação Social pela PUCPR e dedica-se à escrita desde que se conhece por gente. Publicou o livro de contos A Sala de Banho (2014) e é roteirista das histórias em quadrinhos A Samurai (2015), A Samurai: Yorimichi (2016) e A Samurai: Primeira Batalha (2017).

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