Método ESCREVA: 7 passos para conduzir o seu projeto de escrita

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Você não precisa escrever mais, o que você precisa é de um método de escrita. Logo concordei com a afirmação, lida em algum artigo no mar do Medium. Já mencionei em artigos anteriores, que não basta seguir o “vá lá e escreva”; é preciso ter um projeto de escrita.

Desde que passei a ministrar aulas de escrita criativa e a ler sobre os processos criativos dos escritores, tenho notado alguns padrões interessantes. Apesar de muitas manias serem excêntricas, seus objetivos são bem claros e se repetem de um escritor para outro.

Depois de analisar o que vários escritores fazem e identificar o que funciona tanto comigo tanto com meus alunos, selecionei sete fases essenciais para qualquer trabalho:

  1. Estudo;
  2. Sintetização;
  3. Criação;
  4. Respiro;
  5. Edição;
  6. Verbalização;
  7. Aprimoramento.

Assim que identifiquei cada uma das etapas, decidi que era chegada a hora de dar um novo passo. Esse passo foi a criação do Método ESCREVA, uma forma de conduzir qualquer projeto de escrita do início ao fim.

Estudo

A primeira fase de qualquer projeto de escrita é a dedicação ao amplo estudo. Aqui entram tanto os estudos relacionados ao gênero textual que você pretende escrever (poema, conto, crônica, romance, artigo, etc) quanto aos assuntos que você pretende. Reúna conhecimentos de diversas fontes: livros, aulas, experiências, observações, convivência, conversas alheias e experimentos.

Todo o conhecimento é válido e pode ser usado para desenvolver do seu texto – seja ele ficcional ou não. Quanto mais bagagem você tiver, maiores serão as chances do seu projeto alcançar leitores ao qual se destina e, consequentemente, você ser lembrado como uma voz que vale a pena ser ouvida.

Por isso, estude tudo que estiver relacionado ao tema do seu projeto, até mesmo assuntos com os quais discorda ou que considera desagradáveis. Quando se trata da escrita, saber nunca é demasiado – envolver-se no seu projeto só aumentará sua vontade de aprimorar os seus conhecimentos.

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Sintetização

Sintetizar significa concentrar, resumir. De nada adianta saber tudo para executar o seu projeto de escrita sem tratar o conhecimento de forma adequada. Para evitar que o estudo se torne um mar infinito de informação, o escritor precisa ser seletivo.

Finda a pesquisa, é hora de catalogar os conhecimentos obtidos e selecionar quais serão aplicados ao projeto. Alguns deles passarão despercebidos aos olhos do leitor, como os elementos estruturais do texto. Outros, no entanto, são cruciais para a credibilidade do que foi escrito, como informações verídicas, históricas (em textos factuais) ou que tornam a narrativa coerente e crível (no caso da ficção).

Essa fase também envolve planejamento, porque escrever significa organizar a informação com o intuito de provocar determinadas sensações no leitor. É nesse estágio do trabalho que você toma decisões importantes, tais como a escolha do gênero do seu texto; o tamanho; quanto tempo você dispõe para produzi-lo; se será publicado e, em caso afirmativo, como; e a qual público se destina.

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Criação

Depois de passar dias pesquisando, refletindo e planejando, é chegada a hora de sentar para escrever. Essa é uma das fases mais prazerosas do projeto e, para muitos, o objetivo de todo o trabalho. Sua missão a partir de agora é aproveitar cada instante disponivel para deixar a sua criatividade fluir.

Criar depende de dois fatores básicos: permissão e concentração. Todo o resto (estilo, coesão, qualidade, aceitação, inspiração) é acessório e deve ser deixado de lado no momento da criação. Concentre-se apenas em transformar suas ideias em um texto com início, meio e fim. 

No entanto, para que isso aconteça, você terá que trabalhar os dois fatores básicos que mencionei.

Primeiro, você terá que se permitir escrever. Pode soar infantil ou até simplista, mas não se engane: escrever vai muito além de mera inspiração ou vontade. Escrever é um compromisso que você faz consigo mesmo, o compromisso de comparecer com frequência (todos os dias, talvez), de sentar-se e continuar escrevendo, aconteça o que acontecer. De reservar um tempo razoável do seu dia para colocar palavras no papel, uma atrás da outra, até que elas se tornem um texto. De abrir mão de algumas atividades e da convivência com pessoas para passar um tempo sozinho com suas ideias.

Segundo, você terá que se concentrar. Sem foco, não há projeto de escrita que nasça. Foco é o coração de qualquer processo criativo, o objetivo imediato de qualquer pessoa que se dispõe a realizar uma atividade contínua. Para atingir o estado de flow, é preciso ir além do óbvio (afastar-se das distrações); você precisa descobrir como e quando você se concentra – e as opções são infinitas. 

A única forma de descobrir o que funciona melhor para você é testando. Portanto, primeiro crie, crie muito, crie como exercício. Lembre-se que o aprendizado está na caminhada, não na conclusão.

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Respiro

Você acabou de concluir o seu texto, colocou todas as suas ideias no papel. Olhe seu trabalho, orgulhe-se dele. Parabenize-se pela caminhada, porque só você conhece cada uma das horas dedicadas a ela e todos os problemas (internos e externos) que enfrentou para chegar até aqui.

Agora, coloque o seu projeto para dormir. Nada de sair espiando o resultado, nem um pouquinho. Agradeça e descanse.

Nessa fase, você vai se permitir esquecer tudo o que escreveu. Desligue-se do texto e vá fazer qualquer outra coisa. Vá viver em qualquer lugar longe das suas ideias, faça qualquer atividade que te afaste ao máximo do que você acabou de produzir. Você merece descansar.

Não há texto que não se transforme aos nossos olhos depois de um tempo e uma boa noite de sono. Mas lembre-se: você merece descansar desse texto – o que não te impede de iniciar outro, se quiser. Afinal, quem precisa dormir, de fato, é o texto, não você.

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Edição

Depois de deixar o tempo passar – dias, semanas, meses anos; tudo depende da urgência do seu projeto de escrita –, você o lerá com outros olhos; olhos de uma pessoa menos envolvida com as ideias que lê. E é esse olhar que te tornará capaz de avaliar o que funciona e o que precisa ser melhorado.

Essa fase merece a mesma atenção que a fase da criação, porque é nela que você dará ao seu texto, personalidade, coerência e fluidez. Ao longo das releituras (sim, serão muitas), você trocará frases, parágrafos e até capítulos de lugar; adicionará e cortará diversos trechos; descobrirá se a estrutura do seu texto é funcional; validará o desenvolvimento da sua ideia; e corrigirá questões gramaticais.

Em outras palavras, você será o primeiro editor do seu texto. 

Atravessar a fase da edição significa autoavaliar o seu projeto. Por isso, prepare-se para repensar tudo o que fez até aqui. Se sentir vontade de desistir, lembre-se novamente de que o aprendizado está na caminhada, não no resultado. Agora siga em frente.

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Verbalização

Seu projeto de escrita está concluído. Você o escreveu, leu, releu e editou inúmeras vezes até ser capaz de dizer “está pronto”. Orgulhe-se, festeje e mostre o resultado ao mundo. Sim, você ouviu bem: chegou a hora de publicar o seu trabalho.

A escolha de como e onde o texto será publicado já foi feita antes, muito antes, na fase da sintetização. Todo o processo de estudo, criação e revisão tem como foco tornar pública e o mais compreensível possível a mensagem a ser transmitida através da sua escrita.

É nessa fase que você colocará o seu projeto à prova e descobrirá o que outros olhares pensam ao ler o que você escreveu. Prepare-se para viver fortes emoções, tanto positivas quanto negativas – porque as críticas virão e você precisará estar preparado para elas. Mas lembre-se: preparado é diferente de intimidado. 

Receber diferentes opiniões sobre o que você escreveu é a chave da evolução como escritor. Ter outros olhares sobre o texto tem o poder de transformar a percepção que o próprio autor tem sobre as palavras que encadeou – além de ser a deixa para a próxima e última fase do processo: o aprimoramento.

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Aprimoramento

Depois de escrito e publicado, seu projeto foi entregue ao mar do mundo. Você tem leitores e até opiniões sobre o trabalho que realizou. A pergunta, que atrai tal o chamado da sereia, soa ingênua de tão óbvia: o que fazer a partir de agora?

Se antes de iniciar o seu projeto de escrita sua mala estava vazia, agora você carrega na bagagem aprendizados, opiniões e um trabalho publicado. É uma bela bagagem, afinal. Olhe-a com carinho e avalie-a. O que deu certo e o que você poderia aprimorar no próximo projeto?

Essa é uma fase para ser gentil consigo mesmo. É agora que você reconhece que fez o melhor trabalho que podia, dentro do tempo e do conhecimento disponíveis. E é você, apenas você a única pessoa capaz de avaliar com precisão todos os aprendizados proporcionados pelo projeto ao desenvolvê-lo do início ao fim.

Avalie-se sem se julgar e eu garanto que seu próximo texto será ainda melhor.

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Agora pegue a sua bagagem, aponte o seu lápis, separe um caderno em branco e prepare-se para começar uma nova jornada de escrita.

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Quem escreve sobre escrita

Mylle Silva

É escritora, roteirista de histórias em quadrinhos e instrutora de escrita criativa. Formada em Comunicação Social, ministra oficinas e ajuda pessoas a transformar ideias em histórias e sonhos em projetos.

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